segunda-feira, 1 de setembro de 2014

UMA ANÁLISE DOS MATERIAIS USADOS EM CIRURGIAS DE LEVANTAMENTO DE SEIO MAXILAR

A altura óssea insuficiente na maxila posterior atrófica pode prejudicar a reabilitação com implantes dentários. Dessa forma, o levantamento de seio é indicado, visando obter um aumento da altura óssea nessa região. Vários materiais podem ser utilizados nesse procedimento, tais como os enxertos autógenos, homógenos, xenógenos e aloplásticos. Foi realizada uma revisão acerca da eficácia dos diversos enxertos utilizados em cirurgia de levantamento do seio maxilar. Para tal, foi feita uma busca nas bases de dados PubMed e BVS (Biblioteca Virtual de Saúde) utilizando-se os descritores (inglês/português) “levantamento de seio maxilar”, “transplante ósseo” e “implantes dentários”. Foram incluídos ensaios clínicos e ensaios clínicos randomizados, revisões de literatura, casos clínicos e artigos clássicos publicados nos últimos dez anos. Foi verificado que os enxertos autógenos, ou seja, aqueles obtidos do próprio indivíduo, são considerados padrão-ouro, devido à capacidade de promover osteogênese, osteoindução e osteocondução. Os enxertos homógenos, também considerados transplantes, e os xenógenos, oriundos de outras espécies, são também ótimas opções para enxertia do seio, promovendo neoformação óssea adequada na região. Em comparação com os demais, os materiais de enxertia chamados aloplásticos apresentam resultados um pouco inferiores, porém, também podem ser utilizados com segurança. Conclui-se que o levantamento do seio maxilar previamente a reabilitação com implantes é um procedimento seguro e eficaz, sendo indicado quando a altura óssea existente impede a instalação de implantes, mesmo aqueles de dimensões reduzidas, os chamados implantes curtos. Após a enxertia, existe a possibilidade de colocarmos implantes de maior comprimento, o que favorece a reabilitação osseointegrada. 


Texto oriundo do Trabalho de Conclusão de Curso da Dra. Marília de Carvalho Rolim, sob a Orientação da Profa. Mônica Studart - FFOE/UFC

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

PERI-IMPLANTITE

            A reabsorção óssea peri-implantar representa uma das condições que podem levar à perda tardia da reabilitação protética, ou seja, após o estabelecimento da osseointegração e da instalação da prótese. Pacientes que perderam dentes por periodontite são de alto risco para o desenvolvimento da peri-implantite, sendo necessárias consultas frequentes para prevenção e diagnóstico precoce. Uma vez estabelecida essa condição infecciosa ao redor dos implantes, o seu tratamento envolve a realização de procedimentos não-cirúrgicos e cirúrgicos que incluem:
Orientação de higiene bucal – o controle de placa supragengival executado diariamente pelo paciente é fundamental para que haja diminuição da recontaminação bacteriana da área subgengival após a instrumentação nessa região para descontaminação do implante. A orientação ao paciente consiste de vários momentos clínicos, que envolvem a motivação e um treinamento para a execução dos procedimentos de escovação e uso de passa-fio e escovas interdentais. Há unanimidade entre os protocolos de tratamento da peri-implantite, no que diz respeito à importância dessa fase.
Descontaminação do implante – a combinação de métodos mecânicos, por meio de raspagem com curetas específicas para a região, e a aplicação de produtos antissépticos utilizando-se gazes embebidas em clorexidina ou ácido fosfórico podem remover os depósitos bacterianos, mineralizados ou não, existentes na superfície do implante. Essa etapa clínica é crítica, e a permanência de depósitos bacterianos pode manter o processo inflamatório e levar à progressão da doença. A literatura é conflitante em relação ao melhor método, não existindo um ideal, sendo necessários mais estudos experimentais clínicos para a sua determinação.
Desgaste da superfície do implante – atualmente, os implantes apresentam roscas com superfície rugosa que, quando expostas ao meio bucal, funcionam como um fator retentivo, dificultando o controle de placa no local. Frequentemente, essas roscas ficam expostas em consequência da peri-implantite. Assim, tem-se recomendado o desgaste dessas áreas com brocas para se obter uma superfície lisa; entretanto, deve-se considerar a possibilidade de que a diminuição da espessura de uma das paredes do implante aumente o risco de fratura deste, que adicionalmente pode estar em sobrecarga oclusal devido à perda óssea na região. Torna-se, então, importante que o dentista considere a relação risco/benefício do procedimento.
Reconstrução óssea – após a curetagem dos defeitos ósseos, a utilização da técnica de regeneração óssea guiada, que envolve o uso de barreiras biológicas que excluem o epitélio e o conjuntivo da área de reparo, favorecendo a neoformação óssea, deve ser avaliada e executada na presença de defeitos ósseos verticais, sua principal indicação. Defeitos considerados horizontais apresentam menor possibilidade de neoformação, mesmo com técnicas regenerativas atuais. A confirmação da formação óssea deverá ser evidenciada em radiografias pós-cirúrgicas, por meio da comparação com radiografias anteriores.
Reosseointegração – embora exista a possibilidade de formar novamente osso em áreas de defeitos verticais associados à peri-implantite, torna-se necessário discutir se há a possibilidade de uma nova integração entre o osso neoformado e a superfície do titânio atingida pela infecção e descontaminada pelo profissional. Há dados divergentes na literatura, na qual alguns trabalhos relatam valores insignificantes de reosseointegração e outros mostram que esse objetivo pode ser atingido. Acredita-se que o tipo de defeito, a associação com fatores oclusais agravantes e a forma de descontaminação do implante influenciam esse dado histológico.
Manutenção – independente da técnica escolhida, todo paciente com peri-implantite, seja em fase inicial ou em fase mais avançada, deve ser submetido a consultas periódicas frequentes, para que o sucesso do tratamento possa ser avaliado e, caso haja reincidência ou insucesso, o profissional possa determinar a melhor conduta: retratamento ou remoção do implante, evitando perda óssea adicional que inviabilize a instalação de um novo implante na região.
            Pode-se concluir que são necessários mais estudos para que se determine um protocolo ideal de tratamento da peri-implantite. Os recursos preventivos, que envolvem um controle de placa adequado executado pelo paciente e consultas profissionais frequentes constituem a melhor conduta do profissional que atua na área de Reabilitação Oral por meio de Implantes Osseointegrados.

Texto escrito pela Profa. Mônica Studart - UFC 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

SÍNDROME DE PAPILLON-LEFEVRE E DOENÇA PERIODONTAL

A Síndrome de Papillon Lefevre ou Síndrome Palmoplantar associada à periodontopatia é uma síndrome rara de herança autossômica recessiva caracterizada por hiperqueratose na pele, doença periodontal severa, hipotricose, unhas frágeis, cabelos finos e esparsos.

Quanto às manifestações bucais de maior relevância, ocorre a reabsorção do osso alveolar levando a uma perda dentária, porém não há processo inflamatório periodontal clínico presente que justifique esse curso agressivo, mas ao exame histopatológico há inflamação em relação ao periodonto de sustentação.

A doença costuma se manifestar mais em adultos, porém quando se apresenta em crianças é mais agressiva. A sua fisiopatologia envolve fenômenos imunológicos como a alteração na quimiotaxia dos neutrófilos, levando a uma maior suscetibilidade a infecções.

O tratamento se fundamenta na instituição de procedimentos periodontais preventivos e terapêuticos, tais como instituição de higiene oral, utilização de colutórios bucais, tratamento periodontal adequado e encaminhamento ao Dermatologista para o tratamento das lesões cutâneas.


É importante que o cirurgião-dentista faça parte da equipe multidisciplinar que atenda pacientes acometidos por essa síndrome, por se tratar de uma doença com graves manifestações bucais.
  
Texto enviado pelo Dr. Luis Gustavo Amaral Aragão, Especialista em Odontologia Hospitalar e Pacientes com Necessidades Especial das Clínicas da FMUSP 




quinta-feira, 5 de junho de 2014

HIGIENE BUCAL E GENGIVITE

A gengivite é um dos principais problemas de saúde bucal dos brasileiros, atingindo cerca de 80% da população adulta. Não é uma doença grave e é de fácil tratamento, porém, se não for tratada, pode levar a sérias complicações. Sua etiologia está relacionada à formação do biofilme dentário que, se não desorganizado em duas ou três semanas, pode causar a inflamação das gengivas.

       A melhor forma de prevenir a gengivite é por meio de uma higiene oral adequada. Essa prevenção tem início em casa, com hábitos saudáveis, através de uma escovação eficiente e adequada, higienização dos dentes, das gengivas, da língua e das bochechas. O uso do fio dental é muito importante para a limpeza de bactérias e restos alimentares entre os dentes, onde a escova não consegue alcançar.

      É importante lembrar que o uso de suplementos, como enxaguantes e bochechos, não substituem a escovação e o uso do fio dental, sem os quais as chances de desenvolver gengivite são maiores.

       Pode acontecer de o próprio ato de escovar os dentes machucar a gengiva, portanto o ideal é ter uma escova apropriada ao tamanho da sua arcada dentária. É recomendado o uso de uma escova de cabeça pequena, que tenha cerdas macias, arredondadas, com tufos concentrados e cabo que seja anatomicamente confortável. Uma escova com cerdas macias ou extramacias costuma durar no máximo 30 dias e após esse período é recomendado comprar uma nova escova.


         Outras formas de se prevenir a gengivite são: alimentar-se corretamente para garantir uma nutrição adequada, evitar cigarros e outras formas de tabaco e tomar cuidado com certos remédios que podem exacerbar a gengivite. além de cuidados locais, visitas regulares ao dentista auxiliam na prevenção da gengivite, pois são realizados exames preventivos e profilaxia profissional, essenciais para a prevenção da gengivite.

Texto escrito pelo Dr. Érico Sucupira, Mestrando em Clínica Odontológica - UFC




quarta-feira, 28 de maio de 2014

DISCUTINDO A MOBILIDADE DENTÁRIA...

O aumento da mobilidade dentária é um dos motivos mais considerados para a indicação de exodontias. É necessário que saibamos as principais causas para que possamos usar melhor esse critério, já que em algumas situações a mobilidade é reversível e em outras, não.  Como causas mais frequentes, podemos citar: a perda óssea periodontal, as lesões periapicais de origem endodôntica e o contato oclusal inadequado, com prematuridades ou interferências.

Lesões periapicais podem ser visíveis em radiografias periapicais e, após a neoformação óssea advinda do tratamento endodôntico, a mobilidade pode retornar a níveis normais. Em relação a contatos oclusais inadequados, após a correção do fator etiológico (posição dentária inadequada, restaurações com contatos oclusais inadequados) provavelmente também ocorrerá a resolução da mobilidade.

Por motivos periodontais, um dente fica “mole” quando o suporte ósseo remanescente é insuficiente para uma carga oclusal normal, ou seja, não necessariamente há contato prematuro. Nessa situação temos então o trauma oclusal secundário. Apenas quando o dente se movimenta no sentido de intrusão, o prognóstico torna-se desfavorável a ponto de indicarmos a exodontia. Em outras condições de mobilidade no sentido horizontal, o tratamento periodontal poderá auxiliar na manutenção do dente, pois mesmo que não haja diminuição da mobilidade, o dente pode permanecer se não houver progressão desse quadro clínico.

Outro dado importante a ser considerado é a necessidade de reabilitação protética e o uso de dentes com mobilidade como pilares. Nessas situações, devem ser apresentados para o paciente pelo menos dois planejamentos, com ou sem a realização das exodontias, e a explicitação das vantagens e desvantagens de cada um, para que o próprio paciente possa contribuir e optar por aquele que mais o satisfaz.


Assim, antes de realizar exodontias com base apenas na presença de um sinal clínico, o profissional deverá analisar a causa, a possibilidade de melhora e incluir o paciente na tomada de decisões. O diagnóstico correto é essencial para a realização de um plano de tratamento adequado.





Texto produzido pela Profa. Mônica Studart, Mestre e Doutora em Periodontia e Professora das Disciplinas de Periodontia e Implantodontia da UFC


sexta-feira, 23 de maio de 2014

ODONTOLOGIA EM AMBIENTE HOSPITALAR – DESAFIOS DE SUA INSERÇÃO

Nos últimos anos, há um “novo” pulsar na Odontologia. A prática da arte dentária, exercida exclusivamente em um consultório odontológico, tem sido moldada a novos formatos de atenção e assistência. A Odontologia lança seus braços para outros impensáveis loci da assistência: do domicílio ao leito hospitalar. A Odontologia em ambiente hospitalar (OaH) consiste na atuação do cirurgião-dentista (CD) generalista, em ambiente hospitalar, de forma que participe conjuntamente do processo terapêutico e melhoria da qualidade de vida dos pacientes. O cirurgião-dentista em ambiente hospitalar deve executar ações em saúde bucal inserido em um contexto de multiprofissionalismo e interdisciplinaridade. As competências do cirurgião-dentista em ambiente hospitalar focam no cuidado do paciente, em que a doença sistêmica possa ser fator de risco para o agravamento e/ou instalação de doença bucal ou vice-versa. Para tal fim, medidas educativo-promocionais, preventivas, assistenciais e paliativas são imperiosas. A responsabilidade da tomada de decisão em intervenção na cavidade bucal é do cirurgião-dentista. A OaH dá suporte a diversas áreas da Medicina, quer nos leitos cirúrgicos, clínicos, obstétricos, pediátricos, psiquiátricos, hospital dia e leitos complementares, quer nas Unidades de Terapia Intensiva.

        Os desafios da inserção do CD em ambiente hospitalar são basicamente quatro: desafio filosófico – compreender que a Odontologia deve ser “ampliada”, em tratar pacientes com comprometimentos sistêmicos, em que o conhecimento deve ser palmilhado na concepção da totalidade, discernindo o entendimento das partes que compõem o todo, e não o contrário; desafio político – formalizar os serviços de OaH, intensificar a ação dos grupos já existentes e definir o papel do CD no contexto da clínica médica; desafio acadêmico – divulgar e informar acerca dos conhecimentos da OaH para profissionais de saúde, gestores e pacientes, assim como criar polos de formação de profissionais para esse fim; desafio social – fortalecer a participação social e garantir a sustentabilidade interna de um projeto junto ao Conselho Nacional de Saúde, promover a articulação intersetorial entre os Ministérios da Saúde e Educação para desenvolvimento de ações sinérgicas.

         Desta forma, a Odontologia em Ambiente Hospitalar se lança a fim de criar bases de um movimento realmente instituinte da inserção do CD nos hospitais, em um contexto de valorização da Odontologia e, assim, trabalhar de forma a possibilitar a transformação do devir. 


Texto escrito pela Profa. Andréa Aguiar, Mestre e Doutora e Professora da Universidade Federal do Ceará 



quarta-feira, 21 de maio de 2014

DOENÇA PERIODONTAL EM CRIANÇAS

Os estudos epidemiológicos realizados em inúmeros países assinalam que a cárie dentária e a doença periodontal são as afecções de maior prevalência na cavidade bucal. A criança, assim como o adulto, é suscetível às doenças periodontais e, em especial, às gengivites. A gengivite é uma inflamação que envolve apenas os tecidos gengivais próximos aos dentes. Quando o processo inflamatório atinge, além da gengiva, as estruturas do periodonto de sustentação, instala-se uma periodontite. 

       A doença periodontal apresenta uma natureza insidiosa, indicada pela ocorrência de inflamação gengival branda nas crianças, aumentando a gravidade em adolescentes e adultos jovens, e a frequente progressão para a perda parcial ou completa dos dentes mais posteriormente. O principal fator etiológico associado consiste na placa bacteriana. O interesse demonstrado pelos epidemiologistas deve ser acompanhado pelos periodontistas, ortodontistas e odontopediatras. Todos devem estar preocupados em interceptar uma gengivite incipiente, principalmente em crianças, evitando-se uma possível evolução para a periodontite. Se não for efetuado um tratamento imediato da gengivite, aumenta a possibilidade de se instalar uma periodontite quando a criança atingir a adolescência. Cabe, portanto, ao cirurgião-dentista estar suficientemente informado sobre os recursos de prevenção das doenças periodontais, como a importância de um bom padrão de higiene oral, e preparado para realizar o tratamento imediato das gengivites. 

          Sobre a prevenção de gengivite, pedimos para o Dr. Erico Sucupira discutir conosco o tema.


Texto de autoria da Dra. Juliana Ximenes, especialista em Odontopediatria e Mestre em Odontologia-UFC