Desde a descoberta dos raios X por Roentgen, em 1895, os exames radiográficos vêm sendo requisitados frequentemente em Odontologia, sendo aperfeiçoados pelo desenvolvimento de novas técnicas, como a Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (TCFC). Lendo o comentário que a Profa. Iracema deixou no blog, podemos nos perguntar: “Será que a Tomografia Computadorizada substitui a radiografia periapical no diagnóstico das doenças periodontais?” De fato, é incontestável a valiosa contribuição que os exames tomográficos trouxeram para o campo do processo diagnóstico, notoriamente, a TCFC. As imagens bidimensionais, como as radiografias periapicais, podem comprometer a qualidade da avaliação realizada pelo odontólogo em virtude da sobreposição das estruturas, ao passo que a tomografia permite a obtenção de um corte de determinada região sem o inconveniente da superposição de imagens.
Mas muita calma nessa hora... “Será que os exames convencionais foram superados pelos atuais, como no caso da TCFC?” Mesmo apresentando todas essas vantagens, as radiografias periapicais e interproximais não devem ser esquecidas, principalmente porque em muitas situações há sérias dificuldades financeiras por parte dos pacientes para se obter um exame tomográfico.
Conversando com um colega durante uma palestra voltada para acadêmicos, o referido cirurgião-dentista justificou a solicitação de um exame tomográfico para diagnóstico e plano de tratamento periodontal por considerar a radiografia periapical um exame de “baixa qualidade” quando comparado à tomografia. Nesse ponto, é importante salientarmos que a “qualidade” dos exames convencionais se deve, em parte, a fatores associados (1) ao operador, no caso, uma técnica corretamente realizada, respeitando-se os princípios de correto posicionamento do paciente e angulações vertical e horizontal na tomada periapical com o método da bissetriz, ou o correto uso do posicionador radiográfico quando da escolha do método do paralelismo e (2) ao processamento radiográfico, o qual se refere ao uso de soluções químicas dentro do prazo de validade, acondicionadas corretamente e principalmente em estado de uso adequado (não degradadas/exauridas).
Dessa forma, o cirurgião-dentista necessita pesar bem o custo-benefício relativo à solicitação de um exame tomográfico, muito embora este possa ser indicado para uma melhor investigação de determinadas condições, tais como patologias sistêmicas com envolvimento periodontal. Partindo desse gancho, fica um ponto que pode ser melhor explorado no blog: “Que exemplo de condição sistêmica pode apresentar um importante componente periodontal, e como esta se manifesta?” Professor Paulo Goberlânio, responda aí...
Texto produzido pelo Dr. Fábio Wildson Gurgel Costa, Mestre e Doutor em Odontologia-UFC e Professor das Disciplinas de Radiologia e Clínica Integrada-UFC

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